domingo, 17 de julho de 2011




"Você quer um pouco mais?" ela disse.
"Nah. Você disse que realmente gosta de pipoca."
"Eu gosto. Mas você pode ter um pouco." Ela segurou o saco para mim.
"Ok." Eu me movi alguns centímetros mais perto. Ela não gritou ou se moveu para longe. Eu peguei uma mão cheia de pipoca, esperando que eu não derrubasse. Houve um terrível trovão, e ela pulou, derramando metade do que tinha sobrado.
"Ai, eu sinto muito," ela disse.
"Não sinta." Eu peguei as pipocas obvias e joguei elas no meu saco vazio.
"Nós podemos pegar o resto de manhã."
"É apenas que eu fico realmente com medo de relâmpago e trovão. Quando eu era pequena, meu pai costumava sair de noite, depois que eu dormia. E então, se algum barulho me acordasse, eu não achava ele. Eu ficava com tanto medo."
"Deve ter sido difícil para você. Meus pais costumavam a gritar comigo quando eu acordava a noite. Eles me falavam para ter coragem, o que queria dizer deixar eles sozinhos." Eu passei para ela a pipoca. "Pega o resto."
"Obrigado." Ela pegou. "Eu gosto…"
"O que?"
"Nada. É apenas... obrigada pela pipoca."
Ela estava tão perto que eu podia a ouvir ela respirar. Eu queria me mover mais perto, mas iria deixar eu fazer isso. Nós sentamos na luz branco-azul da televisão, assistindo o filme em silencio. Apenas quando terminou que eu vi que ela tinha dormido. A tempestade tinha diminuído, e eu queria apenas
sentar lá, assistindo ela dormir, encarando ela como eu encarava minhas rosas. Mas se ela acordasse, ela acharia que isso era estranho. E ela já pensava que eu era estranho o suficiente.
Então eu desliguei a televisão. O quarto estava muito escuro, e eu a peguei para carregar ela ate seu quarto.
Ela acordou a meio caminho na escada escura.
"O que..?"
"Você dormiu. Eu estava carregando você para o seu quarto. Não se preocupe.
Eu não vou te machucar. Eu prometo. Você pode confiar em mim. E eu não vou te derrubar." O peso dela era quase nada nos meus braços. A besta era forte também.
"Eu posso andar," ela disse.
"Ok, se você quiser. Mas você não esta cansada?"
"Sim. um pouco."
"Confie em mim, então."
"Eu sei. Eu pensei que se você fosse me machucar, você já teria feito isso."
"Eu não vou te machucar," eu disse, estremecendo por saber que aquilo era o que ela tem pensado sobre mim. "Eu não posso explicar por que eu quero você aqui, mas não é para isso."
"Eu entendo." Ela se acomodou em meus braços, contra meu peito. Eu carreguei ela para o topo das escadas e tentei a maçaneta. Ela a agarrou. A voz dela veio pela escuridão. "Nunca ninguém tinha me carregado, não que eu posso lembrar."
Eu apertei meu aperto nela. "Eu sou muito forte," eu disse.
Ela não disse mais nada depois disso. Ela dormiu de novo. Ela confiava em mim. Eu andei na escuridão e dentro do quarto dela, pensando que deve ser sempre assim para o Will, sendo cuidadoso, esperando nenhum obstáculo. Eu alcancei a cama dela, eu a deitei e puxei o suave cobertor em volta dela. Eu
queria beijar ela, lá na escuridão. Fazia tanto tempo desde que eu tinha tocado alguém, realmente tocado. Mas seria errado tirar vantagem dela dormindo, e se ela acordasse, ela pode nunca me perdoaria.
Finalmente, eu disse, "Boa noite, Lindy," e comecei a me mover para longe.
"Adrian?" Na porta, eu escutei a voz dela. "Boa noite."
"Boa noite, Lindy. Obrigada por sentar comigo. Foi legal"
"Legal." Eu escutei ela se mexendo na cama, rolando, talvez. "Você sabe, na escuridão, sua voz parece tão familiar."


# Alex Flinn - " Beastly".