terça-feira, 12 de outubro de 2010




-  Este é o meu lar - ela disse, e beijou o queixo dele. Em seguida, beijou-lhe a mandíbula. - Obrigada, marito mio, obrigada.
-  Lucia!  - Ele deu um olhar constrangido para os jardineiros que trabalhavam ali por perto. - As pessoas podem nos ver. 

(...)

-  Se você retribuir o meu beijo só uma vez - brincou ela, falando contra a boca dele - eu paro.
Isso o fez sorrir.  

(...)

Ele apertou as mãos que seguravam os pulsos dela e deu um passo para trás, puxando-a junto com ele até os dois ficarem atrás da sebe alta de um labirinto de buxinho. Protegido de olhares curiosos, ele largou os seus pulsos, pôs as mãos ao redor do  seu rosto e a beijou .

(...)

Ela interrompeu o beijo e se soltou das mãos dele antes que ele conseguisse dar por si o suficiente para impedi-lo. Ele tentou agarrá-la, e ela se afastou rapidamente, rindo, e contornou a sebe, voltando para um lugar onde eles poderiam ser vistos.
-  Eu prometi que pararia - ela lhe lembrou, virando-se e descendo a colina. - E sempre cumpro as minhas promessas.
-  Você está me deixando louco  -  disse ele, pegando a cesta de piquenique e seguindo-a.
Ela parou, virou o rosto e lhe deu aquele sorriso deslumbrante por cima do ombro.
-  Espero que sim, inglês. Espero mesmo que sim. - Rindo, ela se virou, pegou as saias nas mãos e começou a correr colina abaixo. Aquela cena o fez parar. Ele se lembrou da primeira vez que a tinha visto e de tê-la imaginado assim, correndo pela grama com o mato na altura do joelho, rindo, com o cabelo solto atrás de si. Ele nunca fora um homem de muita imaginação, mas mesmo então, naquele primeiro momento, havia percebido que o seu destino estava entrelaçado ao dela. 

(...)

Ele não estava congelado. Não estava mais. Não desde que a conhecera. Ian olhou intensamente para a mulher que sorria para ele de rosto erguido na clara tarde de outono, com os raios de sol brilhando sobre o pente de prata do cabelo.
Luce, pensou ele, a palavra italiana para luz. Era o que a definia. Fora isso que sempre o atraíra para ela, da mesma forma que uma planta em uma janela insiste em se virar na direção do sol. Ele precisava dela, precisava tanto dela que estivera disposto a jogar fora tudo o mais que sempre tivera importância para ele. Isso era uma coisa assustadora, porque nunca na vida Ian tinha tido necessidade de alguém. 

(...)

-  Às vezes, inglês, eu não o compreendo. Eu amo você, mas nem sempre o compreendo.
Ela se virou e começou a cruzar o prado. Ele ficou onde ele estava, vendo-a afastar-se, segurando as saias com uma das mãos e com o sol batendo no cabelo.
-  Eu também te amo - disse ele, mas apenas quando ela já estava longe demais para ouvir. - Sempre amei.



# Laura Lee Ghurke - " Muito mais que uma princesa ".